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| Chopin Playing the Piano in Prince Radziwill's Salon - Henryk Siemiradzki (1887) |
Sob certo aspecto, nós ouvimos música em três planos distintos: Sensível,
expressivo e puramente musical.
A maneira mais simples de ouvir música é se entregar ao prazer do som.
Esse é o plano sensível. É quando ouvimos música sem pensar, como ligar o rádio
enquanto fazemos outra coisa.
Muitas pessoas abusam desse plano e usam a música como uma espécie de
fuga que as levam a um mundo onde não precisam pensar na realidade, mas desta
forma não estão pensando na Música também.
Existe, entretanto, a possibilidade de nos tornarmos mais sensíveis ao
estilo dos compositores, pois cada um usa o elemento sonoro à sua maneira, e
uma atitude mais consciente tem valor até nesse estágio primário de audição.
O segundo plano é o Expressivo. Toda obra musical tem algo a dizer, um
significado por trás das notas. A Música expressa, em momentos diferentes, uma
variedade infinita de humores em diversas nuances, podendo até indicar um
estado de espírito que não corresponde a palavra alguma.
O importante é que cada um sinta por si mesmo a qualidade expressiva de
uma peça musical, e se tratando de uma grande obra, não espere a mesma coisa em
audições sucessivas. A música que sempre diz a mesma coisa gasta mais depressa
o seu poder expressivo enquanto a que diz algo diferente a cada audição tende a
permanecer mais tempo viva.
O terceiro plano é o puramente musical. Trata-se do plano das notas e sua
manipulação. A maioria dos ouvintes não têm consciência desse plano. O ouvinte
inteligente deve ter sua percepção preparada para reconhecer o material sonoro
(melodia, harmonia, ritmo) e o que acontece com ele além de que o conhecimento
das formas musicais permite o ouvinte acompanhar o pensamento do compositor.
Nunca ouvimos esses planos separados, eles são combinados de forma
instintiva, e adotando um atitude mais consciente, deixamos de ser uma pessoa que apenas ouve para alguém que ouve alguma coisa.

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